28 abril 2006

Vamos todos trabalhar até aos 70 anos! Pois a esperança de vida foi calculada para os 80 anos.
Tudo em nome da sustentabilidade da Segurança Social gerida pelo Estado Social.

É bem certo que ninguém quer morrer mais cedo se puder morrer mais tarde. E esse facto, conjugado com os avanços da Medicina, faz com que surja o novo fenómeno social do “lixo humano”, das pessoas que sobrevivem sem qualquer qualidade de vida, sofrendo, durante anos a fio. São elas que alimentam a voraz máquina dos cuidados de saúde dirigidos prá 3ª idade. Os Hospitais (públicos e privados), as “Casas de Repouso” e o exército em formação especializado em “cuidados paliativos”, e toda a indústria da farmacêutica, da ortopedia, etc. dirigida aos idosos.

Faz-me nervos, viver com os meus 55 anos de idade, olhando o futuro com tão pouca esperança! É que não sei se me assistirá a liberdade de morrer quando estar vivo for para mim um sofrimento sem esperança. Abençoado ataque cardíaco fulminante!

26 abril 2006

"Se eu pudesse fazia o mesmo" diz o Povo. E vai votando Isaltino, Fátima, etc.
As faltas dos deputados na semana da Páscoa é só mais um exemplo do fenómeno social do desenrascanso do povo português. Em democracia os deputados vêm do povo, não há que estranhar. Ser sério, pontual, cumpridor, etc. é sinónimo de fraqueza. É para os que não têm padrinhos, partidos, grupos de influência, etc. que os protejam...

15 março 2006

O escândalo que suscitou a aumento brutal dos lucros dos bancos em 2005 já se traduziu numa medida avulso:

"Todas as comunicações e informações de crédito ao consumo vão ser obrigadas a indicar, de forma bem legível e perceptível, a taxa de juro."

O que não se explica é que os juros elevados praticados no chamado "crédito ao consumo" são constituídos por duas partes: a primeira para remunerar o capital emprestado, a segunda para garantir ao banco o reaver do capital emprestado dos clientes que não pagam (é o seguro de crédito). O Banco nunca perde, pois os utilizadores deste tipo de crédito que pagam todas as prestações, estão a pagar os juros do empréstimo que contraíram mais uma quota-parte de crédito mal parado ao qual são completamente alheios.

Também ninguém fala do dinheiro que o Estado gasta na cobrança por meios judiciais. Isto é, o acréscimo de custos da máquina judicial para dar resposta à cobrança coerciva destes "créditos ao consumo". Devia ser facturado aos bancos e não é.

Não creio que a informação "bem legível" acima referida afaste o "povo" do crédito ao consumo. Creio sim, que isso acontecerá quando o Banco sofrer as consequências de conceder crédito a quem não tem possibilidades de o pagar.

15 fevereiro 2006

Afinal a Segurança Social dá lucro, os ordenados vão subir, o Desemprego já não é problema - é estrutural -.
O populismo é uma atitude inteligente porque usa o princípio de que "olhos não vêem, coração não sente!". De facto a pré-ocupação não interessa a ninguém! Devíamos ocupar-nos só com as desgraças que nos cabem a nós e só quando nos batem à porta. O estado de preocupado é deprimente e convida ao lascismo, à falta de produtividade e de inovação!Por isso, Sr. Sócrates, engane-me que eu gosto, e o País agradece!

09 fevereiro 2006

Anda tudo tão distraído com os cartoons do Maomé que nem dão pelo avanço em passos largos do Plano Tecnológico: A OPA da Portugal Telecom.
De facto, os programas que o Sr. Bill vai trazer para serem testados em Portugal, de borla, vão usar muita fibra óptica e muitas antenas de comunicação de dados do tipo GSM, etc..
Será que só o Sr. Belmiro deu por isso ? Ou já estava tudo combinado ?

04 fevereiro 2006

Seremos o país das “martas- telegeuro”, quando o projecto “Bill Gates” estiver concluído.

“Será atendido na sua língua: escolha 1 para Inglês, escolha 2 para Francês escolha 3 para Português …”.

Isto passa-se numa cabine telefónica de Bóston ou de Sidnei ou de Ankara, aonde um português está a tentar fazer uma reserva na Air France.
Ao responder “3”, atende a menina Venessa, profissional do atendimento personalizado da Air France, escritório instalado em Guimarães, Vale do Ave.

O mesmo acontecerá quando um “portuga”, instalado no Sharaton de Londres, desejar informações sobre um qualquer espectáculo ou conferência.
É atendido pela D. Carolina, que trabalhou 10 anos a cozer entretelas numa fábrica de vestuário. Como a fábrica fechou, ela tirou um curso do Plano Tecnológico e agora trabalha no atendimento personalizado da cadeia Sharaton sito em Fafe – Vale do Ave.

Só assim se entende a medalha que o Sr. Presidente concedeu a tão ilustre benfeitor.

Não era isto que os portugueses queriam para Portugal ! Mas, se tiver que ser, que seja…

02 fevereiro 2006

O casamento de seres que se amam.
No sítio aonde moro há uma senhora que é inseparável do seu lindo cão, o Óscar.
Passeia ao fim-de-semana pela minha rua e vai falando com ele. E o bicho percebe, é fantástico!
Na padaria entra com ele ao colo, não vá acontecer como no ano passado, que foi atacado por outro cão quando esperava pela dona lá fora, preso pela trela.
Recordo esse drama como se fosse hoje. O desvelo da dona face ao sofrimento do bicho com a pata entrapada!
Falámos sobre o acidente e ela disse-me que não dormia só de pensar que podia acontecer algo de mal ao Óscar. E o sofrimento que tinha quando ele adoecia e tinha de deixá-lo ao cuidado de estranhos. As pessoas são insensíveis ao sofrimento dos bichos, dizia.
- Por isso, quando ele adoece meto férias e não poupo gastos em veterinário e em medicamentos, que são tão caros. Devia haver outra protecção para os animais.
Dizia depois de passar pelo talho, aviada com bons bifes de vaca charolesa.
- Ó mulher, case-se com o Óscar! Passa a ter dias de ausência ao trabalho remunerados para cuidar da família, descontos no médico, e nos medicamentos, e no IRS. E se você morrer ele não fica na rua, herda os seus bens e o arrendamento da sua casa transita automaticamente para ele. Era outro descanso para si.

Entretanto a diocese de Spokane, no Estado de Washington, ofereceu 45,7 milhões de dólares (38,12 milhões de euros) para conseguir um acordo extrajudicial com 75 pessoas que alegam terem sido abusadas sexualmente por sacerdotes daquela igreja.
Com o avançar d' "as mais amplas liberdades democráticas", depois da legislação que permita o casamento entre homossexuais, assistiremos à batalha pela autorização de casamentos quando um dos nubentes (ou os dois, para disfarçar) é menor de 16 anos, desde que com autorização dos pais. As indemnizações passam a chamar-se dotes.
Quando essa batalha for ganha resolve-se grande parte dos escândalos com pedofilia. Isso acontecerá quando houver uma massa crítica de pedófilos capaz de influenciar a sociedade e o poder político.

Hoje, quem aceita dinheiro como compensação de um abuso sexual devia ser considerado cúmplice, e ser condenado com a mesma bitola penal. Enquanto assim não for, o negócio continua.

26 dezembro 2005

É em 31 de Dezembro que as Empresas fazem o Balanço.
Que despesas e que receitas tiveram, que impostos pagarem, etc. E, num só número – o Resultado – resumem e excelência da sua actividade comercial:
Há os resultados “positivos débeis”, ou “positivos confortáveis” ou “negativos simplesmente” e até “perigosamente negativos”.
Em qualquer dos casos o Patrão, que quer continuar a sê-lo, diz: Para o próximo ano teremos que fazer melhor!

É em 25 de Dezembro que os Cristãos fazem o Balanço do seu desempenho ético/moral:
- As vezes em que eu invoquei cansaço para desculpar a minha ausência das visitas ao hospital em que o meu irmão está internado…
- E quando neguei à minha Mãe uma visita a Viseu invocando o custo da viagem quando afinal a minha recusa foi pelo ressentimento de achar que ela dá mais atenção aos outros filhos de que a mim…
Mas também fiz coisas boas:
- As horas que estive ao telefone com aquela tia-avó (tão chata!) que parece ser accionista da Portugal Telecom! Coitada, vive isolada, só o telefone a liga a este mundo…
- As vezes em que “perdi” horas em supermercados (eu, que detesto compras) só para agradar a minha mulher…

É pena que não haja um indicador seguro que nos indique se o Resultado foi positivo ou negativo.
Resta-nos dizer, como patrões de nós próprios que devemos ser: Para o próximo ano terei que fazer melhor.

E que se cuidem os agnósticos e os ateus, esta mensagem também é para eles. Porque o comportamento ético tem muito a ver com do animal que existe em nós. A ética existe como a extensão dos genes proporcionada pela Cultura, para garantir a sobrevivência do indivíduo no mundo Social.

16 dezembro 2005

A Ana, perturbada com o comportamento dos filhos disse:

«Um dos sinais perturbadores deste tempo é haver cada vez menos gente nova a lutar por uma ideia, inconformada, com vontade de mudar o mundo e a convicção pura de que o vão conseguir.»

E eu respondi-lhe:

Não são assim tão perturbadores:

O inconformismo, a vontade de mudar o mundo para melhor, surgem sempre associados à percepção que vastas camadas da população têm de que a sua sobrevivência está ameaçada ( a sua e a de seus filhos, netos…). A Revolução Francesa, os Descobrimentos (só para dar dois exemplos), surgiram em épocas em que grande parte da população passava fome e sofria toda a espécie de privações.
Os Ideais são memes que surgem como resposta à ameaça da sobrevivência, são elementos reguladores da Vida, e as pessoas abraçam os ideais como se fossem bóias de salvação no seu impulso para a sobrevivência. Quase sempre sem terem a consciência desse porquê.
Como todos os elementos reguladores da vida são, como nos fractais, uma variante dos ciclos feed back de realimentação positiva que caracterizam todo o tipo de regulação na Biosfera.
Os algoritmos que regulam esses ciclos são cegos, ocultos, deterministas. Ir contra eles é ir contra a Lei de Deus, pois eles são em si próprios a Lei de Deus.

Não sinta culpa de não ter sabido educar os seus filhos de acordo com os seus ideais. Eles, os seus filhos, são seres lançados num mundo diferente do seu, mundo esse, que por ser diferente também tem leis diferentes. Deixe-os viver a vida deles, no respeito dos princípios básicos da boa convivência social. Sem culpa.

15 dezembro 2005

O TGV é mais uma medida de fundo a somar a outras que visam subordinar a economia portuguesa à economia espanhola, europeia, americana...
Depois da digitalização total das comunicações telefónicas que possibilitou o acesso eficiente (barato) à Internet ou a deslocação de back-offices para outros pontos do mundo, facilitando às multinacionais comprar empresas portuguesas ou colocar pontos de venda em Portugal.
Depois da construção da rede de auto-estradas, que possibilitou a importação rápida (barata) de produtos estrangeiros (incluindo excedentes agrícolas).
Impõe-se proporcionar aos gestores de empresas sediadas em Madrid, rápido acesso às sucursais que as suas empresas abriram em Lisboa (mais rápido e mais barato que pelas auto-estradas). Gestores de multinacionais espanholas ou multinacionais americanas com sucursais na Península Ibérica.
E assim vamos assistindo paulatinamente à destruição de oportunidades de nos afirmarmos como país europeu. Vamo-nos contentando com as migalhas do Desenvolvimento. Vamos aceitando ser inquilinos no nosso próprio território.
Quem paga todas estas infraestruturas não está interessado num Portugal-país-europeu, e exige como contrapartida a destruição da Agricultura, das Pescas, da Indústria e de tudo o mais que se verá!
Se tivéssemos apostado na Educação e na conquista de mercados de produtos baseados no Conhecimento, outro galo estaria a cantar hoje, em Portugal!

03 dezembro 2005

As escutas telefónicas feitas de uma forma indiscriminada são um assunto que está na ordem do dia.
Miguel Sousa Tavares conseguiu encher uma página inteira do jornal Público com este assunto e acabou por tirar conclusões precipitadas.

Este assunto faz-me lembrar a pirataria informática que surgiu logo a seguir à divulgação da rede da Internet. É assim:
“Pessoa desconhecida entra no computador de outra para destruir ou roubar informação.”

Pergunto a mim mesmo se não se está a passar o mesmo com a rede dos telemóveis e a respectiva informação.

A Microsoft (responsável pela concepção da maior parte dos programas que utilizam a Internet ) optou por deixar “portas” de acesso secreto nos computadores aonde o seu software está instalado. As polícias dos diversos países agradecem. Os Hakers também!
(Haker é um especialista em programação informática que consegue violar a informação de um computador da rede sem que o proprietário se possa opor).

A frequência com que ocorrem ataques de hakers em computadores pessoais e departamentais é hoje muito grande. De tal forma que, para estar ligado à Internet com alguma segurança é necessário adquirir programas de protecção contra estes info-bandidos! Assim proliferou o próspero negócio dos programas antivírus, grande parte deles também portadores de vírus anti-infidelidade dos utilizadores (este mundo cão!).

Ora, as redes de telemóveis são semelhantes à Internet. Nelas o telemóvel desempenha o papel de computador e a informação que circula nas redes de telemóveis não é menos valiosa que a que circula na Internet. É bem provável que também aqui surjam hakers, a tentarem seus negócios…

Portanto, Sr. Miguel Sousa Tavares, vá mais devagar nas suas acusações e deixe de fazer sugestões antidemocráticas, pedindo a subordinação formal do Poder Judicial ao Poder Político. Além de não lhe ficar bem, não resolve com certeza este problema.

02 dezembro 2005

Será ético forçar o cruzamento de animais para alterar este ou aquele aspecto? (cães de caça ou de regaço).
Será ético manipular o embrião humano in-vitro para evitar que a futura criança não seja asmática, ou para que venha e ter olhos azuis?
Será ético retirar células de um embrião humano que sobejou de um processo de reprodução assistida para reproduzir a pele da cara uma senhora que ficou desfigurada num acidente? E de uma senhora normal mas que só quer ser mais bonita?

A Bioética, como a ética aplicada a outras ciências, tem tudo a ver com a assimetria do acesso à técnica. É ética toda a operação técnica / biológica que põe em pé de igualdade os aplicadores dessa técnica.

Quando o Dr. Barnard fazia transplantes de coração na África do Sul, e essa técnica não era dominada por muitos países ditos desenvolvidos, toda a gente falava na falta de ética que isso podia significar. Agora, essa técnica já é dominada por muitos desses países, deixou de se falar nesses termos.

O mesmo está a passar-se com os cereais geneticamente transformados que já não têm tanta contestação, porque há cada vez mais países a dominar a respectiva técnica.

Essas técnicas existem porque dão dinheiro e dão poder, que são os dois vectores principais que contam para a sobrevivência do Homem de hoje.

30 novembro 2005

A fantasia é uma forma de sonho.
É a confabulação que fazemos, que transforma sensações (do foro físico, portanto) em pensamentos.
Quando dormimos sonhamos em função das sensações que o nosso sistema nervoso capta, não obstante o estado de "quase morte" do corpo. Assim, quando temos taquicardia durante o sono, sonhamos que estamos a correr ou a lutar (o coração "dispara"), quando fazemos uma má digestão sonhamos com algo que, no estado de vigília, nos provocaria o efeito físico semelhante ao de má digestão, por exemplo uma cena angustiante.

Com a fantasia o processo é semelhante, só que estamos acordados. Por isso é mais frequente fantasiar quando se está só, pois a atenção não está dispersa, temos mais disponibilidade para interpretar os "apelos do corpo". Por isso o homem não consegue masturbar-se sem uma forte componente de pensamento, em que a fantasia "dialoga" com as sensações.

É por isso que a fantasia não é monogamica nem poligamica, É LIVRE, como o pensamento.

Mas nem todas as pessoas estão aptas ter todos as fantasias.Uma pessoa normal (a que chamarei normal pelo senso comum) não tem a fantasia de degolar virgens, por exemplo.
É a condição física da pessoa que condiciona as suas fantasia.

NOTA: A condição psicológica de uma pessoa é um sub-conjunto da sua condição física (ler A. Damásio).

20 novembro 2005

As meninas que ostentaram carícias lésbicas dentro de uma escola, foram repreendidas pelas empregadas e pelo Sr. Miguel Sousa Tavares (Público de 6ª-feira).
Suponho que centenas de casos destes ocorram todos os anos nas nossas escolas. Só este caso teve tanta dimensão mediática.
Deve ter sido alguma organização de homossexuais que se encarregou de lhe dar relevo, na tentativa de obter mais tolerância por parte dos responsáveis pelas escolas, no futuro.
É um facto que a comunidade gay tenta ampliar a sua influência na Sociedade, e uma forma de o fazer é recrutar novos adeptos.

Na idade da puberdade muitas crianças ainda não têm a sua sexualidade bem definida. As experiências homossexuais tidas nessas alturas por essas crianças são uma iniciação ao exercício da sexualidade, e decambam facilmente em preferências sexuais, pois o quadro de sensações criados nesses contactos, por quem não teve outras experiências, passam a ser o padrão de referência da satisfação do desejo sexual.

Isto acontece a crianças que, no seu imaginário infantil, desejavam ser heterossexuais, isto é, que não tinham tendências inatas para a homossexualidade (é mais natural desejar ser hetero do que o contrário - convenhamos). E quando isto acontece elas ficam a pensar: "se calhar sou homo..." - erradamente.

A exibição de posturas homossexuais no interior das escolas deve ser desencorajada para proteger as crianças dessas práticas, nesse contexto de inexperiência, e não por qualquer razão homofóbica.

19 novembro 2005

"Se tiveres uma contenda ou se adoeceres, não procures o advogado ou o médico do teu Senhor."
Foram estas as palavras sábias que o António me dirigiu quando eu lhe disse que andava com um problema de saúde do tipo "só para homens"; um nódulo na próstata.
Fiquei a meditar naquilo. Parecia-me um ensinamento do Corão - o António é muçulmano -.
Durante dois dias o meu subconsciente trabalhou afanosamente procurando a chave do enigma. Ao terceiro dia fez-se luz! E eu disse para comigo: "nem do teu chefe, nem dos amigos ou familiares do teu chefe". O Maomé tinha razão! Se eu não cumprir esta regra sujeito-me a que o meu chefe venha a saber mais sobre a minha vida privada ou sobre a minha saúde do que eu próprio!

Mais tarde encontrei o António e apressei-me a pedir-lhe o número do versículo do Corão aonde vinha escrita tão sábia sentença. Ele respondeu-me: Essa frase não vem no Corão, mas podia muito bem vir, pois é justa e verdadeira.

12 novembro 2005

Os motins que ocorrem um pouco por toda a Europa do Norte não são um caso pontual de desordem no domínio público. A Europa deixou de ter vantagens competitivas que a colocavam na posição de polo de desenvolvimento mundial. Vendia para todo o mundo tecnologia de ponta feita com matérias-primas mais ou menos "roubadas" aos países sub-desenvolvidos. Agora, ficou sem os preços baratos das matérias-primas porque controla cada vez menos as suas ex-colónias, e o resultado é que a África do Sul já faz aviões melhores que os Mirages, a Coreia melhores automóveis que o Renaults, etc. e a Europa não conseguiu substituir esses produtos por outros "de ponta", de forma a manter vantagens competitivas, como os cereais trangénicos, os equipamentos militares guiados por satélite, etc. e está a braços com os compromissos criados pelos Estados Sociais. Não vai conseguir responder às expectativas da sua população.

O resultado é o que se vê em França.

Não tem nada a ver com racismo.

31 outubro 2005

Angustia existencial :

Feed-back de realimentação positiva
Dos ácidos, aminoácidos, proteinas
fechados em células, ou à deriva
A regularem para que não cresça a mais
A regularem para que não cresça a menos
A regularem para que seja assim.

E eu, assisto impotente a este frenesim...

He Lá açucares, compostos de carbono, adrenalina
Guiados por algoritmo incorpóreo, cego, oculto
Deixem de regular a minha sorte
Em tropel, falsa desordem, tumulto...
E de gerir minhas dores, meus amores, meus ais

Se isto é a vida, eu quero a morte !

Ao menos, os ácidos neutralizam as bases; dão sais... ha ha ha ...

30 outubro 2005

sempre que perdemos tudo
percebemos que há minutos que são milénios imensos
e descobrimos que a vida que vivíamos sem dar conta
e que no fundo éramos nós a respirar
é um milagre cheio de elementos
que reconhecemos e em que nos identificamos
um milagre onde habitam as pessoas a quem amarrámos as nossas mão
se jurámos amar para sempre
um milagre que existe para lá das memórias que quisemos muralhar
e que no fundo nunca soubemos compreender

José Rui Teixeira

[este poema foi copiado do blog porto-fragil]

O autor deste poema afirma, aparentemente sem querer, umas verdades científicas. Chegou a elas pela intuição (a capacidade de saber não sabendo que se sabe).

O milagre da vida significa a improbabilidade de se estar vivo neste planeta, tais são as ameaças presentes: doenças, acidentes, desastres naturais, conflitos, etc. Até a probabilidade de nascer é ínfima. Basta dizer que o material genético contido numa só ejaculação é suficiente para fertilizar todas as mulheres da Europa que engravidam num ano (lido algures).

Para conseguir sobreviver neste ambiente hostil cada ser vivo tem que lutar, sem descanso e todos os dias, procurando alimentos e abrigo (protecção), tendo muitas vezes que lutar com outros animais (da sua espécie ou não) para os conseguir. E procurando sexo, para que, através da reprodução o “projecto” do seu genoma não se perca no tempo. A missão é transmitir o software do genoma para o futuro.

As pessoas estão tão concentradas na sua missão (sobreviver para se reproduzir) que não realizam todo o seu ambiente, isto é, não tomam consciência de todos os factores que estão a contribuir para a sua sobrevivência. Só quando os perdem é que acordam !!!



25 outubro 2005

A explicação da notícia de ontem chegou hoje, à mesma hora:
O Ministério da Educação vai fechar 400 Escolas Primárias.

A Ministra não teve coragem para dizer logo que ia reestruturar o Ensino Básico e que, com 10% do que poupa, vai financiar refeições!

Mais do mesmo!

24 outubro 2005

O Ministério da Educação vai comparticipar as refeições dos alunos das escolas básicas, noticiou a TSF hoje de manhã. Na mesma notícia transmitiu palavras da respectiva ministra em que ficámos a saber que esta medida já abrangia outros níveis de ensino, e transmitiu a posição do Sindicato dos Professores Fenprof que se congratulava com a medida mas não acreditava na sua efectividade porque muitas escolas básica não tinham instalações capazes para acolher essa medida (deu o exemplo de uma em Viseu), até porque isso já tinha acontecido com o ensino de inglês na primária e com as aulas extras a alunos com dificuldades no ensino secundário.

Ora bolas! Disse eu para comigo, das três entidades envolvidas nesta notícia nenhuma está com vontade que se saiba realmente o que se está a passar! Se alguma delas quisesse, bastava acrescentar:
"Prevê-se que esta medida abranja a curto prazo cerca de X alunos em todo o país, que representam cerca de Y% da população escolar actualmente a frequentar o ciclo básico"

O ideal seria que a notícia acrescentasse a distribuição geográfica dos não estão contemplados, o prazo previsível para a cobertura total da medida, e os custos envolvidas.

É que as meias-notícias como esta servem o actual status de populismo, em que a Comunicação Social ganha audiências sempre que há polémica, a Ministra ganha protagonismo sempre que contribui para a polémica (mais vale falaram mal de mim do que não falarem nada), e os sindicatos ganham adeptos (que pensam estar a ser bem defendidos).

O que pode estar a acontecer, ainda na esteira do populismo, é que ninguém conhece o verdadeiro impacto da medida, tendo sido feito o anúncio só com a intenção de melhorar as sondagens de opinião e , isso sim, cabe ao sindicato denunciar: "...contactámos o Ministério e ninguém nos soube indicar o impacto".